Alucinações urbanas

Tem coisas que só acontecem, você não precisa acreditar.
Estava voltando da casa de um casal de amigos numa Kombi apertada e morrendo de dor depois de um dia que começou complicado. Dor, muita dor! Ao lado, na frente e em todos os lugares, um garoto sem educação gritava. Na minha frente, ela. Confesso que não prestei muita atenção nela. Dor, enjoos e como sempre... Perdido.
É vergonhoso ser o andarilho que se perde, mas sou o perdido sortudo. Dizem por ai que negro é a minha cor. Negro como as asas da graúna.  Uma frase batida, mas sincera, um sorriso, um pequeno Oasis de simpatia.
“Como é bom ver um carioca simpático.” – Comentei sorrindo – “Obrigado”.
Outro sorriso. Poderia significar uma ou outra coisa, mas confesso que pra mim, era só a saída dali. Ficar “desperdido” graças à carioca simpática.
Tem coisas que só acontecem nos subúrbios onde as pessoas não tem a frieza das grandes cidades. Gente que sempre me surpreende por ser mais evoluída que eu. Não é que ela me fez companhia?
 “Olha...” – Disse sorridente enquanto atravessava uma pista perigosíssima para me levar ao metrô – “Eu moro aqui, mas vou te levar lá porque é sempre bom ajudar alguém”.
E foi o que ela fez. Falamos sobre ratos, baratas que fogem tanto das mulheres quanto as mulheres delas e nos despedimos.
E depois disso, virou só mais uma lembrança.
Uma alucinação urbana. 

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    About Me

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    Sou Alexandre D’Assumpção. Roteirista, letrista, escritor, fotografo, professor de roteiros para quadrinhos TV e Cinema e Podcaster. Quando ninguém está olhando ainda brinco de assistente de direção e locutor amador.  Por motivos nada nostálgicos, evito a frase: Pau pra toda obra, mas o conceito me serve.

    Participei de fanzines de 1988 a 2000 (O Covil e Ponto de Fuga foram os mais constantes, mas já fiz outros). Quando resolvi seguir carreira solo acabei sendo Ghost Writer de vários projetos que infelizmente nunca poderei divulgar. Atuei como revisor de narrativa e tradutor de outros e ainda me envolvi com o Estúdio Tony Carson, um dos primeiros a negociar artistas nacionais para a Europa. O sonho do álbum belga não deu muito certo, mas esta miséria teve muitas companhias. Muitos da nossa geração caíram nessa.  Em 1998 publiquei crônicas no jornal online B Connection. Em 2001, as crônicas se tornaram um blog que foi descontinuado em 2008. Sou inquieto e queria novos desafios.

     Em 1999, produzi o livro independente Lilith. Entre 2007/8 redigi editorias motivacionais para o Jornal do Comércio de Itaperuna.  Kátia Libório, minha parceira na música O Rosa Oculto, era uma das donas.  Sou um membro errante do movimento multimídia Multiverso e escrevi a música Cânhamo, que foi gravada por Chico Mallagucchi. De 2002-2006, desenvolvi vários conceitos e roteiros para o personagem The Scarab do desenhista Stefanni Renée que seria negociado com editoras do exterior. Em 2007/8 fui roteirista de duas histórias curtas da Zona Zen de Nestablo Ramos Neto, além de ter feito o roteiro de uma das duas partes do encontro de Crazy Mary de Alessandro Scrigolli com o Escorpião de Prata de Eloyr Pacheco.  Em 2013 repeti a parceria com Nestablo no álbum Histórias da Bíblia – Adão e Eva. Desde 2014 ministro a Oficina de HQ Digital no Colégio Minas Gerais e participo do Coletivo NCT – NOVOS CLÁSSICOS DO TERROR. Em 2015 entrei para o coletivo Casa do Medo e comecei a dar aulas de roteiro no IP Studio.  Como membro da Casa do Medo participei do projeto Paixão de Ler da Prefeitura do Rio de Janeiro e fui um os contistas do livro Rio: Cidade do Terror e do Medo, publicado pela editora Guardião. Além disso, sou um dos redatores do site Impulso HQ e ofereço projetos de oficinas pela minha empresa, a Iniciativa Gambate.

     A verdade é que independente dos dissabores que me levaram a tentar os famosos trabalhos de adulto, a cultura Pop é a mais sedutora de todas as putas. Sempre há histórias que precisam ser contadas. E é quando ela me puxa de volta ao seu mundo.  Feliz ou infelizmente, estou mais velho e seletivo quanto aos projetos. Prefiro os pagos, mas aceito propostas interessantes, diferentes e desafiadoras. Sou um contador de histórias e participo daquilo que tiver afinidade.  Não compro lutas, principalmente as que não me levarem pra frente.  Discursos ideológicos, filosóficos ou de vítima saíram de moda com a queda da ditadura.  Sou um homem com mais quarenta vivendo perto do fim da segunda década dos anos 2000 e minha prioridade é pagar as contas.

    Bem, este sou eu. Quem é você?

Este é o Sumpa sabe. Não quero ser seu amigo, só que você leia e pense. Se algo do que eu digo te incomodar o problema é seu, você veio porque quis. Agora, se as idéias te tocarem... Podemos conversar a respeito.

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